Dor e Narrativa projeto autorial de Bárbara Cal - Edital Paulo Gustavo MG
Profundo Azul - imagem 05

Graziele

Indicada pela APAE, Graziele é uma mulher de fala calma e presença firme.  Sua rotina é marcada pelos cuidados com o filho, que ela cria com afeto e paciência. Para ela, ser mãe de Ragner não é sacrifício: é destino e orgulho.

Hoje, vive na cidade, longe do quilombo e da família. Mudou-se para garantir o acesso do filho à APAE, já que o transporte da prefeitura não chega à comunidade. Essa decisão, embora necessária, trouxe uma dor silenciosa: a saudade das raízes, do convívio familiar e, principalmente, do pai, falecido recentemente.

Graziele fala dele com ternura e fé: um homem generoso, trabalhador, que fez de tudo pela família. Ao lembrar dele, ela reconhece que talvez também tivesse um traço de autismo, uma sensibilidade que hoje enxerga com outros olhos.  Sua mãe e sua irmã são seu porto seguro, o alicerce que a mantém em pé.

Contexto

No ensaio, Graziele quis celebrar o vínculo com o filho e também revisitar a ausência do pai. As fotografias foram realizadas em ambiente natural, onde o verde, azul e a luz do sol simbolizavam renascimento e continuidade.

Os registros mostram o afeto entre mãe e filho, a presença das mulheres de sua família e, ao mesmo tempo, a lacuna deixada por quem partiu. As poses são simples, sinceras, um retrato da força tranquila de quem segue cuidando, mesmo com o coração cheio de saudade.

Já na oficina, Graziele escolheu trabalhar com bordado. Sobre as fotografias, costurou linhas coloridas que se cruzavam entre os rostos e as mãos da família, representando laços, luz e continuidade.

Em uma das imagens, bordou delicadamente o espaço onde o pai costumava estar, como se o preenchesse com cor, lembrança e presença simbólica.
O gesto foi um ato de amor e luto: trazer luz ao que a vida levou, sem apagar a falta, apenas transformando-a em memória viva.

Resultado

Dor e Narrativa

Dor e Narrativa projeto autorial de Bárbara Cal - Edital Paulo Gustavo MG

Esse ensaio faz parte do projeto Dor e Narrativa, uma residência artística realizada em São Domingos do Prata (MG), que uniu psicologia, fotografia e artes plásticas para transformar experiências de dor em arte.

Graziele é uma mulher negra quilombola, mãe de Ragner, um menino autista. Sua história é sobre amor, ancestralidade e saudade, um testemunho de força e ternura diante das ausências que a vida impôs.

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Instituição Parceira

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE de São Domingos do Prata

Uma OSC (Organização da Sociedade Civil), sem fins lucrativos e beneficente de assistência social, com atuação nas áreas de assistência social e educação.

Sua missão é “promover e articular ações de defesa de direitos e prevenção, orientações, prestação de serviços e apoio à família, direcionadas à melhoria da qualidade de vida da pessoa com deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária.”

Na residência, a APAE foi essencial para indicar participantes e garantir que mães, famílias e pessoas em processo de inclusão pudessem vivenciar o projeto.